Um rio nervoso! ZAMBEZE
VITÓRIA FALLS, NA GARGANTA DO RIO ZAMBEZE.
Essa semana meu contador Arthur, me perguntou aonde que eu tirei a foto que está no meu perfil do WhatsApp? Logo me veio lembranças fortes do #planetaextremo. O ano foi 2011. Tínhamos a informação do amigo e grande canoísta e aventureiro @benstookesberry a vontade de encarar as corredeiras do rio ZAMBEZE, no ZIMBABWE. Por um nobre motivo. Homenagear o amigo Hendrik, que morreu pelas mandíbulas de um crocodilo, no rio Lukuga, no Congo. Sim, ele foi testemunha dessa tragédia. O programa exibido pelo #fantastico nesse link https://globoplay.globo.com/v/2053172 O programa não mostra os bastidores da nossa equipe em terras africanas.
VITORIA FALLS, ZIMBABWE.
Foi sem dúvida uma das maiores experiências que vivemos. O rio Zambeze tem vários níveis de dificuldade para os canoístas do mundo inteiro. O Maracanã está pra o futebol assim como o rio Zambeze está para o caiaque. É a Meca do esporte! Além das corredeiras muito perigosas existem os remansos, que são os espaços entre as cachoeiras. São os locais preferidos dos crocodilos! Anualmente, o governo do Zimbabwe faz uma varredura para retirar os maiores crocodilos, mas nem todos são retirados. Todas as 22 corredeiras tem nomes e numa reunião com o nosso guia ficou decidido que não iríamos encarar 2 cachoeiras por conta do perigo. Iríamos retirar os botes do rio e margear até um pouco depois dessas 2 corredeiras pois eram perigosos para o Rafiting.
NOSSA EQUIPE NO BOTE 1.
Um dia antes, após o jantar, um dos nossos câmeras me disse quase chorando:”…Claudinho eu estou com muito medo! Não vou descer o rio, me desculpe! Sou recém casado e não quero morrer nesse lugar!” Eu respondi a ele: “Todos nós estamos com medo! Eu também estou com muito medo mas agora não dá mais pra desistir. Essa decisão teria que ser tomada no Brasil e não agora que estamos a 1 dia de desafiar o rio”. A estratégia da nossa equipe era descer em 2 botes e 3 caiaques, as 22 cachoeiras até o acampamento. Sim amigos! 22 cachoeiras, menos 2 que seria muito arriscado para os equipamentos. Estávamos com a super zoom.
O ENGENHEIRO CONCEIÇÃO OPERANDO A SUPER ZOOM NAS MARGENS DO ZAMBEZE.
Um equipamento de última geração que fazia as transmissões do futebol. Apenas essa câmera com as lentes custavam mais de 100 mil dólares!!!! Apenas um parênteses. Entra com ela no Zimbabwe foi fácil mas para sair tive que desembolsar 4 mil dólares de propina para que o equipamento e 1 gerador Honda pudessem retornar ao Brasil. A lente chegou mas o gerador nunca mais vimos.
Amanheceu o dia e partimos todos tensos para gravar. Apenas os canoístas desafiaram as corredeiras 5 e 9 que eram as mais perigosas. EU caí 2 vezes do bote em 2 cachoeiras mas tínhamos a frente uma de nome “THE MOTHER”. Pelo nome vocês já imaginam o que teríamos que enfrentar. Nosso guia avisou a chegada da “GRANDE MÃE”! Ficamos uns 15 minutos, dentro dos botes, organizando a nossa descida por essa corredeira. Já estava ficando tarde e tínhamos que acampar e passar a noite a beira do rio após a 22ª corredeira . Só pensávamos em acabar logo com aquilo. Iniciamos a descida vagarosamente. Começamos bem, todos remando e obedecendo as ordens no nosso guia, mas de uma hora para outra o bote escalou uma onda inacreditável, por uma pedra enorme no meio do rio. O bote subiu a proa de uma tal maneira que o 1º a despencar em cima de mim foi o @claytonconservani. Daí em diante foi terror e pânico! Um verdadeiro strike e o bote virando, emborcando de cabeça pra baixo. Já no fundo eu só ouvia as borbulhas e os gritos dos companheiros. O saudoso irmão e mago das imagens Ari Júnior, não nadava bem e segurou o nosso “Macgiver” pela cintura, o Cláudio Carneiro, que afundava impiedosamente a cada grito do Ari. E já na flor d’água descendo o rio em velocidade eu ouvia o @claudiocarneiro gritar:”…me larga Ari! Me larga!” Eu ria de nervoso já de braços cruzados descendo a corredeira em alta velocidade. O Ari no desespero tirou o relógio e as botas e largou na corredeira, e ficou pra trás. Chegamos no remanso e nos lembramos dos crocodilos. Imaginem 6 cabeças tentando subir num bote ainda emborcado que o nosso guia não conseguia desvirar? Foi terror um terror com todos tentando subir ao mesmo tempo num bote virado e com as perninhas dentro d’água e o guia pedindo calma! Tenho a certeza que em nossas mentes somente pensávamos nas mandíbulas de um crocodilo.
UM CROCODILO ADULTO NAS MARGENS DO RIO ZAMBEZE.
Finalmente entramos no bote totalmente destruídos sem 4 remos que perdemos no rio. Mais calmos, começamos a ouvir o Ari gritando na outra margem, a uns 300 metros de distância, desesperado pedindo resgate. Foi um momento de relaxar pois todos estávamos rindo do Ari gritando de pânico achando que iria ficar pra trás, sem o relógio e as botas E com as canelas dentro da água sobre umas pedras. Quando chegamos próximos a ele a 1ª expressão foi de alívio, de todos! Estávamos vivos! Mas tínhamos apenas 2 horas pra chegar no acampamento e tínhamos ainda 12 cachoeiras! Mas depois do que passamos na “THE MOTHER”, tudo ficou “mais fácil”! Chegamos no acampamento e nos reunimos para agradecer pelo que passamos. Conseguimos gravar os canoístas mas não gravamos o sufoco que passamos. Essas imagens estão em nossas memórias. Mas o clima ainda estava tenso. Estava chateado com irmão Clayton e nem sei porque discutimos e resolvi tirar a diferença com ele. Foi feito uma roda com os companheiros e os nativos, e começamos a brigar. A única regra era, sem socos! Conclusão. Fiz ele comer areia do rio Zambeze! 🤣🤣🤣🤣 Tensão, medo e um stress incalculável depois de 1 dia inteiro num rio nervoso. Após a nossa briga fizemos outra roda e tudo se resolveu na paz. Secamos 1 litro de wisky Jack Daniels. Foi um dia e tanto! Estávamos apenas aprendendo como conviver com o perigo num Planeta Extremo. Participaram dessa aventura @mhouteiral @claudiolcarneiro @arijr01 in memoriam (morreu no acidente da Chapecoence), @robertojuniorreal e @fabio_brandao