Os Caçadores de Mel - Nepal - parte 2



Depois de uma madrugada inteira fazendo a digestão do bode que comemos durante o ritual dos caçadores de mel no dia anterior, acordamos bem cedinho para o último dia de trabalho no Nepal. O clima estava colaborando. Céu limpo, sem nuvens e pouco frio. O céu totalmente estrelado e o Annapurna lindíssimo aos nossos olhos. Tudo estava pronto para a coleta do mel. Tomamos café e nos dirigimos para a escadaria rumo ao platô aonde os repórteres Clayton e Carol Barcellos iriam acompanhar pendurados a coleta do mel. A nossa equipe se dividiu em 2 partes. Uma se embrenhou na mata com uma câmera 5D Cannon(Claudio Carneiro), e mais 3 microcâmeras(GO PRO), com o Makoto, a Carol e o Clayton. Nada se perdia no Planeta Extremo quando se tratava de gravar imagens. Nunca poupamos arquivo para isso. Em cada viagem comprávamos Terabits de HD para armazenamento. A outra equipe se dirigiu até a beira do Rio com uma super zoom(Ari Junior), a mesma lente utilizada nas transmissões de futebol com uma lente 40mm para captar tudo que acontecia na parede, e o Lucas com um drone para aproximação produzindo imagens aéreas. Enquanto isso os caçadores de mel preparavam a escada rústica, fabricada por eles mesmos, para a descida. Nossa equipe estava totalmente protegida das picadas das abelhas. A preparação é lenta devido a quantidade de arbustos no início da descida. As imagens falam mais que mil palavras. Observem o video abaixo e reparem a adrenalina que foi esse momento.
Não é fácil passar por essa experiência. As abelhas não deram trégua enquanto se sentiram ameaçadas. Nosso mestre Makoto foi picado dezenas de vezes e teve que ser medicado pois ficou todo inchado. Teve que tomar corticóides para amenizar a dor e o inchaço na garganta. O Ari, Outeiral e Igor, que estavam na base da parede, também sofreram os ataques das abelhas, mas sem gravidade. O drone do Lucas teve que fazer um pouso forçado pois elas entraram nos motores e prejudicou o voo, mas conseguimos captar tudo que queríamos. É impressionante que os caçadores de mel utilizavam uma proteção rústica e mostraram muita destreza em administrar o momento crítico do ataque das abelhas que não eram pequenas.











Missão cumprida! Mestre Makoto não desceu. Começou a sentir fisgadas nos linfonodos (Os linfonodos ou também gânglios linfáticos são pequenos órgãos perfurados por canais que existem em diversos pontos da rede linfática, uma rede de dutos que faz parte do sistema linfático. Atuam na defesa do organismo humano e produzem anticorpos), e subiu de volta, pois se utilizasse a escadaria, faria com que o o processo alérgico aumentasse devido ao esforço físico, e aí as consequências poderiam ser graves. Pequenos detalhes que fazem a diferença numa aventura. Muito perigoso para quem não tem conhecimento e experiência. Quando chegamos no topo ele já tinha tomado mais 2 comprimidos de corticóides(500mg), para amenizar o processo alérgico.



Foi o fim de um ciclo que marcou nossas vidas e que jamais será esquecido. Dias de sofrimento, medo, angústia e uma saudade da normalidade absurda. Quando você está envolvido nesse turbilhão de emoções os acontecimentos mais simples te deixam felizes. Como é bom um copo de água geladinho! Um banho quente ou o simples cantar de um pássaro te faz feliz. E foi assim que tudo terminou no Nepal. Todos estávamos felizes! Os caçadores de mel também por terem feito a coleta do mel e pelos equipamentos que deixamos pra trás. No dia seguinte o tempo mudou , estava nublado mas queríamos comemorar mais uma etapa vencida, e os nepaleses nos deram uma carne pra fazermos churrasco. No Planeta Extremo era um ritual fazermos churrasco em todas as produções, e aqui não seria diferente. E qual foi a carne que nos deram? Isso mesmo, de bode! Nunca na minha vida assei uma carne tão ruim! Parecia pedra depois de assada mas mesmo assim estávamos felizes por mais essa conquista. Estávamos todos vivos! Na foto abaixo dava pra sentir a felicidade estampada em nossos rostos afinal estávamos voltando pra casa. Fomos agraciados com uma apresentação de dança e todos fomos abençoados com a "TIKA", pequeno pontinho vermelho na testa. A felicidade foi geral!!!



Já em Katmandu, na nossa última noite no Nepal, reservamos o melhor restaurante para mais uma comemoração. O aniversário da Carolina Barcellos. Era dia 8 de maio de 2015. Cantamos e comemoramos a luz de velas pois a energia na cidade oscilava bastante. Saboreamos aquele jantar como se fosse o último. Estávamos muito felizes mas além da data festiva da nossa "lebre”, certamente estávamos comemorando algo maior. A celebração da vida! Cantamos o parabéns após o jantar e cada um fez um discurso regado a muitas risadas. Merecíamos rir muito por tudo que passamos. O único problema nesse noite, e como em tantos outras ocasiões, é que tive de diminuir muitas vezes o volume de áudio da voz do companheiro Carneiro. Nosso "Macgiver", quando fica eufórico fala alto demais! E por muitas vezes essa noite tive que pedir pra ele falar mais baixo pois quanto maior a ingestão de álcool do nosso querido amigo maior são os decibéis no ouvido de todos! ahahahahahahahahahaha!
Como estava previsto retornamos para o Brasil na classe executiva da EMIRATES e a nossa chegada foi emocionante! Todos os nossos familiares estavam nos aguardando no saguão do aeroporto com a faixa “FAMÍLIA EXTREMA". impossível não encher os olhos de lágrimas agora escrevendo esse texto com essa lembrança. Foi um doce momento. Era hora de receber o carinho que tanto sonhávamos dos nossos familiares. Nossa! Como é bom ser amado!





O que mudou em nossas vidas? Tudo! Pelo menos pra mim foi uma lição de vida que jamais poderia imaginar que fosse acontecer. Estar vivo e saudável é uma dádiva riquíssima! Tive a certeza que para ser feliz não é preciso muito. O dinheiro, a riqueza e os bens materiais não são a parte mais importante do ser humano. Olhar o sol, sentir o cheiro do mar e olhar um céu estrelado, são suficientes para alimentar a alma, porque o ser humano mais rico é aquele que tem fé e amor pra dar e receber, e para isso basta estar vivo. Só tenho a agradecer a Deus e aos meus companheiros por me fortalecerem nos momentos mais críticos. Sim, a vida é o maior bem que o ser humano pode ter. Precisávamos estar no Nepal, do outro lado do mundo, presenciar um terremoto fortíssimo que deixou milhares de mortos, para entendermos o quanto esse planeta é extremo! Obrigado meu Pai por estar aqui escrevendo essas palavras!
Nossa próxima parada será no Pólo Sul. ICE MARATHON. O começo de tudo! Foi de arrepiar ! E já começamos com o pé na porta! Fomos ao topo do pódio concorrer ao prêmio máximo da televisão mundial. Valeu!! NAMASTÊ!
Clayton Conservani contempla o visual do aeroporto no Polo Sul. foto Claudio Carneiro